Dia Mundial da Voz

A celebração do Dia Mundial da Voz, a 16 de abril, tem como objetivo uma maior consciencialização para a importância da voz e os cuidados necessários para a preservar.

Sabia que a voz é variável, não só consoante a idade e o género, mas também em função de fatores hereditários, padrões familiares e socioculturais?

A voz é considerada como um importante elo na comunicação por espelhar o nosso estado emocional e, até, uma “extensão” da nossa própria personalidade.
Cansaço vocal, rouquidão, falhas/quebras aquando da fala são algumas das queixas associadas às alterações vocais.

A Disfonia caracteriza-se, portanto, como uma alteração na qualidade vocal. Esta perturbação pode ter origem num transtorno orgânico (malformações laríngeas, alergias,…), funcional (uso incorreto da voz, fatores psicológicos e ambientais) ou organicofuncional (lesão decorrente de mau uso e abuso vocal,…).

Uma alteração que perdure por mais de 2 semanas requere uma avaliação especializada (Otorrinolaringologista). Em função do diagnóstico médico, a pessoa com Disfonia pode ser encaminhada para intervenção em Terapia da Fala.

A Disfonia Infantil/Pediátrica interfere com a comunicação efetiva da criança, podendo ter impacto no desenvolvimento escolar, social e afetivo-emocional. Ocorre, com maior incidência, entre os 5 e os 10 anos de idade e é mais frequente no sexo masculino (3 meninos /1 menina). De referir que os nódulos das pregas vocais são considerados a causa mais frequente, estando diretamente relacionados com comportamentos de mau uso e de abuso vocal.

“De pequenino é que se torce o pepino!”
Por prevenção e com o intuito de incutir bons hábitos, pais e/ou educadores podem colaborar na permeabilização de um padrão vocal saudável. Devem, assim, ser adotados como comportamentos na rotina diária da criança:
• Ingerir água (natural) ao longo do dia;
• Fazer uma alimentação saudável;
• Evitar alimentos ou bebidas muito quentes ou frios;
• Efetuar a limpeza nasal diária (soro fisiológico);
• Falar num tom normal e com uma articulação adequada;
• Evitar imitar, em esforço, ruídos que não lhe são naturais (sons de animais, vozes de desenhos animados,…);
• Resguardar-se do grito e do falar muito alto;
• Não entrar em competição com o ruído envolvente;
• Evitar pigarrear ou tossir como forma de “limpar” a garganta (ao invés deve beber água ou engolir a saliva).

Marilda Correia | Terapeuta da Fala CDIJA