Dia do Pensamento

“somos as coisas que moram dentro de nós” (Rubem Alves),

O Dia do Pensamento surge em 1926, como homenagem a Lord Baden-Powell e sua esposa Lady Baden-Powell, fundador e chefe mundial das Guias, tendo ambos nascido no mesmo dia, 22 de fevereiro. “Um tostão pelos teus pensamentos” foi o lema utilizado para ajudar a implementar o guidismo pelo mundo. Tendo tido o privilégio de ter sido Guia por alguns anos, achei que não podia deixar passar este dia.
Esta iniciativa mantem-se, fora da esfera dos escoteiros, com o objetivo universal de promover a harmonia e a reflexão de variadas temáticas.
Mas no dia de hoje, mais do que pensarmos em várias outras temáticas, sugiro que cada um pense em si e nos seus próprios pensamentos.
O conceito pensamento, remete-nos para uma dimensão individual, pessoal e reservada que deve ser cuidada e privilegiada. É neste “espaço” interno que “trabalhamos” e processamos a imensidão de estímulos, informações e emoções que recolhemos do nosso dia a dia.
Na velocidade do nosso quotidiano encontramos adultos (profissionais, pais, amigos, cuidadores) em piloto automático que não se permitem “parar para pensar”. Mas será sem dúvida a capacidade de melhorar o nosso padrão de pensamento, que nos permitirá melhorar o nosso padrão de vida (U. S. Andersen).

O pensar torna-nos conscientes da nossa existência. É esta consciência que nos responsabiliza pelos nossos atos e pela possibilidade de reparar os mesmos, aprender com eles e melhorar todos os dias a nossa forma de ser e estar no mundo.
Nós “somos as coisas que moram dentro de nós” (Rubem Alves), pressuposto este que reforça ainda mais a necessidade de estarmos atentos aos que se passa dentro de nós.

“Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta” (Carl Jung)
Na relação com o mundo e com os outros vamos encontrando formas de “funcionar”, estas nem sempre são as mais funcionais, mas parecem-nos as mais confortáveis e as mais adaptativas. Só que por vezes “a mente mente-nos” e é preciso querer desafiar estas armadilhas para nos libertarmos.

No CDIJA, são muitos os pais que nos procuram já numa fase em que sentem que esgotaram as suas estratégias, reconhecem que “não estão a funcionar” e estão dispostos a flexibilizar o seu padrão e a adaptar-se a novas formas de se relacionar com os seus filhos, com o seu parceiro, com o seu emprego, com a sua realidade.
O que verificamos é que mais do que grandes soluções, precisamos ajudar os próprios pais a confiar e a parar um pouco para “usar” os recursos que já possuem. Quando o conseguimos fazer, um novo mundo de possibilidades surge e com ele uma imensa sessão de “ser capaz”.

Todos os dias, e não só hoje, devemos encontrar um momento para parar e pensar. Parar e entrar no nosso próprio mundo. Regulá-lo! Quando nos sentirmos regulados, conseguiremos descentrar-nos e certamente estaremos muito mais capazes de nos conectarmos com quem precisa de nós.

Pilar Mota
Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde
Certified Coach Practitioner pela Certified Coaches Federation (Coach N1)